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RESENHA: Bom dia, Verônica

Um marco da literatura policial brasileira, com mais de cem mil exemplares vendidos e uma adaptação pela Netflix.



Título: Bom dia, Verônica

Autora:  Ilana Casoy e Raphael Montes

Primeira Publicação: 30 de novembro de 2006 Editora: Darkside

Publicação Atual: 22 de agosto de 2022 Editora: Companhia das Letras

Páginas: 256 páginas (primeira), 320 páginas(atual)

Gêneros: Mistério, Thriller e Suspense

Rating: 3 estrelas


Sinopse:

Um marco da literatura policial brasileira, com mais de cem mil exemplares vendidos e uma adaptação pela Netflix, agora em nova edição. Bom dia, Verônica nos leva às profundezas da loucura e do vício humanos, em um thriller carregado de tensão, com viradas inesperadas e personagens cativantes.

Verônica Torres trabalha no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa, da Polícia Civil em São Paulo. É secretária de Carvana, um delegado pouco confiável, e filha de um respeitado policial, que teve um fim trágico e não totalmente esclarecido. Verônica está afastada de qualquer tipo de investigação, mas, ao presenciar o suicídio de uma mulher em seu trabalho, a fragilidade da vítima e as estranhas circunstâncias que a levaram à delegacia a colocam na trilha de um abusador com requintes de crueldade. Quando recebe uma ligação anônima de uma mulher desesperada, ela seguirá as pistas de uma série de crimes ainda mais sombrios.

Janete é uma dona de casa devotada, que obedece Brandão, seu marido, pelo absoluto terror que nutre por ele. Policial militar, ele está acima do bem e do mal e pratica crimes sexuais de extrema violência e sadismo, em que ela é obrigada a participar ― primeiro, aliciando mulheres; depois, acompanhando o desenrolar de suas mortes.

As vidas de Verônica e Janete se entrecruzam e as levam aos limites da violência e da loucura.

Ao narrar suas histórias, Ilana Casoy e Raphael Montes criam um thriller sem paralelos na literatura policial brasileira, com uma trama complexa ― e uma investigadora inesquecível.



Primeiro Lançamento

"Bom Dia, Verônica" foi lançado em 2016, causando um verdadeiro alvoroço no cenário literário brasileiro. O mistério em torno da identidade da autora, Andrea Killmore, atiçou a curiosidade dos leitores. Só mais tarde foi revelado que Raphael Montes e Ilana Casoy estavam por trás do pseudônimo.

Raphael Montes é conhecido por suas obras sombrias e perturbadoras, como "Suicidas" (2012), "Dias Perfeitos" (2014), e "Jantar Secreto" (2016). Ilana Casoy é uma criminóloga e escritora especializada em serial killers e crimes reais, com livros como "Serial Killers - Louco ou Cruel?" (2008) e "A Prova é a Testemunha" (2010). Essa combinação explosiva resultou em um thriller psicológico que rapidamente ganhou notoriedade entre os fãs do gênero​ 


Um Pouco Sobre o Livro...

"Bom Dia, Verônica" gira em torno de Verônica Torres, uma secretária da Polícia Civil de São Paulo. A narrativa se inicia com Verônica testemunhando o suicídio de Marta Campos, uma mulher que caiu vítima de um golpe cruel conhecido como "boa noite, Cinderela". Este golpe envolve drogar as vítimas para roubá-las ou abusar delas. A morte de Marta é um evento que marca Verônica. Suspeitando que há algo mais por trás do ocorrido, Verônica resolve sair de trás da mesa e mesmo sem autorização começa a investigar o que realmente aconteceu com Marta para tamanha atitude.

Em paralelo, Verônica recebe uma ligação de Janete, uma mulher que vive um inferno diário em um casamento abusivo com Cláudio Brandão, um policial militar psicopata. Brandão é cruel e sádico, submetendo Janete a um ciclo interminável de terror. Verônica decide ajudar Janete e investigar Brandão.

Ao aprofundar-se nessas investigações, Verônica descobre que Marta foi apenas uma das muitas vítimas de um abusador e necrófilo. Além disso, Verônica se vê confrontada com a corrupção e o abuso de poder dentro da própria força policial.

Janete, por sua vez, consegue encontrar forças para confrontar Brandão com a ajuda de Verônica. Em um confronto final tenso, Brandão é desmascarado e morto, mas não antes de provocar mais dor e sofrimento.


Na minha opinião...

Na história, Verônica Torres é apresentada como uma policial que, apesar de inteligente, parece ter uma atitude amadora às vezes. Isso pode ser atribuído ao fato de estar presa em um trabalho burocrático por anos. No entanto, suas ações são contraditórias e frequentemente surpreendentes, com pensamentos violentos e mórbidos que chocam, talvez de propósito.

Ela é retratada como uma mulher frustrada pelos papéis de esposa, mãe e profissional, buscando uma forma de se libertar. Em vez de seguir a lei tradicional, Verônica opta por se tornar uma justiceira, matando os responsáveis por injustiças. Isso a transforma em uma personagem problemática, mas ao mesmo tempo estereotipada pelos autores.

Por outro lado, Janete se destaca na trama por sua complexidade. Como esposa do assassino de mulheres, ela rouba a cena com seu arco bem construído e emoções conflitantes. Sua jornada, do interior à decisão de assumir o controle de sua vida, é descrita de forma realista e emocionalmente intensa. O trágico desfecho de Janete, morta pelo marido, acrescenta profundidade à narrativa, contrastando com a superficialidade atribuída à Verônica.

Assim, enquanto Verônica falha em convencer como personagem complexa, Janete se destaca como um exemplo de desenvolvimento bem elaborado, oferecendo uma visão profunda sobre abuso e redenção em um contexto literário.

Parece que os autores tentaram muito fazer Verônica Torres soar como uma personagem complexa e realista, mas acabaram exagerando tanto que sua apresentação inicial pareceu forçada e pouco autêntica. Isso criou uma desconexão com a personagem principal, tornando difícil me interessar genuinamente pelo seu destino na história.

Um dos pontos que mais me incomodou foi a falta de verossimilhança em várias situações da narrativa. Verônica parece sempre ter tudo a seu favor, com coincidências e Nelson, o nerd da delegacia, encontrando pistas como em um episódio de CSI. Isso diminui a credibilidade das investigações e parece um artifício conveniente demais para avançar a trama.

Além disso, a forma como a polícia brasileira é retratada, falha e burocrática, poderia ter sido explorada de maneira mais sutil e menos caricata pelos autores, considerando sua experiência e bagagem. Isso teria enriquecido a história ao invés de torná-la previsível nesse aspecto.

Outro ponto é a construção dos personagens masculinos ao redor de Verônica, que parecem pouco desenvolvidos e servem principalmente como suporte para as personagens femininas. É perceptível que as figuras centrais e importantes da trama são todas mulheres, o que pode indicar uma tentativa de equilibrar a representação, mas também levanta questões sobre a profundidade e diversidade na construção dos personagens masculinos.

Aspectos Psicológicos...

O livro "Bom dia, Verônica" aborda diversos aspectos psicológicos relevantes, tanto nos personagens principais quanto nos temas explorados ao longo da trama. Aqui estão alguns dos principais:

Justiça e Vingança: Verônica se torna uma espécie de justiceira, buscando justiça fora dos padrões institucionais após testemunhar injustiças graves. Esse tema levanta questões profundas sobre moralidade, ética e os limites da lei, além de explorar o impacto psicológico de buscar vingança pessoal.

Relacionamentos Abusivos: O livro aborda o tema dos relacionamentos abusivos através da personagem Janete, esposa de um assassino em série. A narrativa explora as dinâmicas psicológicas de um relacionamento abusivo, incluindo o ciclo de violência, o medo e as estratégias de sobrevivência emocional.

Estereótipos de Gênero: Há uma crítica aos estereótipos de gênero, especialmente na construção dos personagens masculinos em torno de Verônica. Isso levanta questões sobre o papel dos homens na história e como suas representações podem influenciar a dinâmica psicológica dos personagens femininos.

Conflitos Internos: Tanto Verônica quanto Janete enfrentam conflitos internos profundos ao longo da história. Isso inclui dilemas morais, dúvidas sobre suas próprias capacidades e a luta para tomar decisões que afetam suas vidas e as vidas dos outros.

Psicologia Criminal: A investigação dos crimes apresentados no livro também traz à tona aspectos psicológicos relacionados ao comportamento criminoso, incluindo a análise dos perfis dos assassinos e suas motivações psicológicas.


Importância do Livro...

"Bom dia, Verônica" é importante por abordar temas como violência contra a mulher, abuso doméstico e falhas no sistema de justiça. Além disso, oferece representações de personagens femininas fortes, promovendo o empoderamento feminino e desafiando estereótipos de gênero. A obra também explora profundamente a psicologia dos personagens, destacando seus conflitos internos e jornadas de autodescoberta. Criticando instituições burocráticas, o livro estimula debates sobre reformas necessárias para garantir justiça e segurança para todos os cidadãos.


Conclusão...

"Bom dia, Verônica" é um livro que traz consigo o peso do renome de seus autores. A narrativa apresenta reviravoltas que, embora às vezes previsíveis, não comprometem a qualidade do suspense e do mistério policial que oferece. As falhas existentes não são necessariamente prejudicam a experiência de leitura.

O livro não segue o padrão de oferecer redenção ou finais felizes; é desprovido de catarse e drama tradicional. Em vez disso, apresenta ideias cruas que exploram o lado destemido dos autores. A cada personagem removido da trama, percebe-se uma escultura da protagonista, Verônica, que está em constante evolução.

Como mistério, o livro satisfaz plenamente. No entanto, como um thriller psicológico que explora o nascimento de uma nova personalidade em Verônica, como justiceira, talvez não atinja todas as expectativas. O final aberto sugere a possibilidade de uma continuação que poderia aprofundar ainda mais a personagem, aproximando-a do nível de complexidade e profundidade característico de Ilana Casoy e Raphael Montes.

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