KHARON - Parte I

Atualizado: Mai 20

O projeto "Um Mês Um Conto" está de volta durante o mês de Maio/2021.


KHARON é a minha primeira aventura no mundo da ficção científica e o conto foi escrito para o projeto "Em Um Mês, Um Conto".


A antologia completa poderá ser adquirida posteriormente como livro físico e também em formato de e-book.


Aproveite a leitura!

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KHARON / PARTE 1


- Iniciar reversão da criogenia do módulo 35421.

ATENÇÃO! AMBIENTE VIOLADO!

- Iniciar consciencialização do módulo 35421.

ATENÇÃO! AMBIENTE VIOLADO!

Lentamente comecei a ter consciência de mim. O nada, o vazio deixou de existir. Abri meus olhos, minha visão estava embaçada e precisei piscar algumas vezes para conseguir ver melhor. Depois que meus olhos se centraram, olhei ao redor e vi que os objetos estavam de cabeça para baixo e não reconheci onde eu estava. Reparei que eu estava fechada em algum compartimento e senti que não sentia direito meus braços e pernas. Notei, então, que quem estava realmente de cabeça para baixo era eu. Tentei chamar alguém, mas ninguém apareceu e imaginei que pelo barulho que fazia do lado de fora, seria impossível eu ser ouvida. Comecei a reunir o máximo de força que pude e pensei em empurrar o vidro que estava à minha frente, mas sem sucesso algum, pois nesse momento percebi que minhas mãos, meus pés e tronco estavam presos. Depois de duas tentativas frustradas, senti-me extremamente cansada.

- Ativar injeção de nutrientes do módulo 35421.

Em meio aquele alerta extremamente alto, ouvi a voz de um homem que gritava, mas não o consegui ver. E um pouco depois me senti melhor e cada vez menos fraca, mas permanecia de cabeça para baixo. Chamei a pessoa, gritei, mas ela não me respondeu e nem apareceu na frente do meu visor, eu apenas via de longe seus pés. O barulho infernal continuava, de repente uma luz vermelha começou a piscar constantemente e o aviso de alerta ficou cada vez mais frequente. Então, de repente memórias da Terra vieram à minha mente e lembrei de tudo o que tinha acontecido e o porquê eu estava naquela situação. E então, cheguei à conclusão que se tinham me despertado antes do tempo, isso significava que algo estava errado.

- Droga, tem alguém aí!

- Oi, oi, eu já vou te tirar daí, só preciso de mais alguns minutos.

- Não temos tempo para isso, me tira daqui logo!

- Eu não posso, se eu parar o processo, você pode ficar com algumas sequelas.

- Pelo que eu estou vendo, não temos tempo a perder, você precisa me tirar daqui.

- Droga...

O jovem alto e pálido, vestido com um macacão cinza escuro, estava com um olhar de verdadeiro pavor e saiu do meu raio de visão. Chamei-o algumas vezes, mas ele não retornou. De repente, ouvi um som alto dentro da cápsula onde eu estava e do lado de fora vi uma espécie de fumaça saindo de posições diferentes do módulo. Em seguida, a parte de cima do invólucro começou a se desprender e a levantar lentamente, enquanto fios eram desacoplados de vários pontos vitais do meu corpo. Assim que todos saíram, pensei em forçar a abertura, mas eu ainda tinha as mãos presas. Conforme a câmara abria algo gelatinoso na cor azul, oriunda do processo da reversão da criogenia, misturado com alguma coisa de cor marrom escorria e eu já estava me preparando para cair naquela gosma nojenta.

Assim que a cápsula terminou de abrir, as hastes de polímeros reforçados com fibra de carbono, que prendiam minhas mãos, meus pés e minha cintura, se abriram ao mesmo tempo. E sem ter nenhum lugar para me segurar, sem que eu pudesse evitar e como eu previa, caí nua, em cima da gosma gelatinosa e viscosa, me sujando completamente. Enquanto que eu estava dentro do módulo não sentia nenhum cheiro, mas assim que eu entrei em contato com o oxigênio da espaçonave, o cheiro daquilo era horrível. E inevitavelmente vomitei vigorosamente um líquido transparente e com um cheiro fortíssimo azedo e nauseante.

O rapaz entrou correndo por uma das portas deslizantes e a fechou rapidamente, sua expressão estava pior que antes, era de puro pavor. Assim que ele entrou eu estava tentando me levantar em meia a toda aquela coisa escorregadia e quando o vi me joguei no chão, tentando cobrir minhas partes íntimas constrangida. Ele também ficou envergonhado e me entregou uma toalha grande. Ao mesmo tempo que se desculpava por não chegar a tempo para me ajudar no meu processo de desligamento. Pelo nervosismo em sua voz consegui perceber que algo realmente estava errado.

- Preciso ver como você está. - disse o jovem mexendo nos compartimentos da nave.

- Fala sério, eu estou bem. - disse me apoiando na minha cápsula por sentir que minhas pernas ainda estavam fracas e com medo de escorregar.

- Mas eu preciso...

- Deixa de enrolação, o que está acontecendo?

...


A segunda parte será publicada em 20 de maio.

E a terceira parte será publicada em 27 de maio.

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